quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pianga



Compu-la para ti,
Toda a minha carne,
A aurora da verdura
Dos meus dias,
De mim
Completa cela e cerne,
Onde sussurra a luz
Que me aguda,
Fundo rasgo mais azul.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

prolegomenos para um paideuma da delusão 1

Naquele tempo primevo em que eu me pus a mim mesmo num lugar indizível que eu não sabia estar, já cheio do que de haver-se, não era matéria, como se saber fosse feito da mesma substancia que antecede o olho que verta da cara da gente enquanto o outro transvê, o que seja, o outro-coisa-em-si-mesmo, que posto não vale nada, e valendo já possibilidade do que eu tinha, pensamentos e alfarrábios estéreis do q seria perfeito no gesso dos osso da gente que corrobora na porta da esquina onde eu deixei o meu poema, antes disso eu não estava em lugar algum, mesmo quando tive pedaço do que eu queria, inda assim pensava que era já o que potente seria um dia , que não chegou. Sendo coisa proto que antevê o que seja, lugar de abstração profunda em que me ponho sempre que acho alguma curva no lado direito do pensamento azul que eu tenho toda vez que me deparo com nova coisa que sendo o mesmo mais se torna um devir de mim mesmo na tentativa de não ser o que eu disdigo do fundo do coração dum lugar que não existe, um chiste que resvala fundo no infame choro, conta-gotas perdidas. Ter sabida é muito fácil, quando a ordem esta posta do que se não temos quando inda há o que ser, o sentido do devir que se torna movimento infinito da imanência do nada que é porta lateral onde se acha a chave do armário de vassouras em que se esconde o registro da agua que corre de longa que não sei, para lugar, nenhures eu sabia que já havia me entreposto, no infinito do que achava ter morrido antes que ando não era mais eu que agora sou, ai não tinha nada, porque morto não é pedra, na estatua do jardim deixei um desenho que achei no lugar primeiro que eu sendo ainda não outro nem habito de mim mesmo não seria qualquer coisa que coubesse em garatuja e por isso só restei de que substancia fosse entre o concreto da cara dela, solto disso e cativo de todo o resto que habita ainda lá, onde tinha o café. 

domingo, 27 de março de 2016

Tudo começou com a forjadura dos grandes objetivos em 2013, três foram dados aos Bolsistas, imortais e mais sapientes de todas as criaturas, sete para os Orientandos, lordes dos grandes salões da biblioteca, e nove, nove foram dados aos Orientadores que partilhavam acima de tudo o desejo da submissão profícua.


Mas na montanha da capes, o lorde das métricas Sucupira forjou para si, em evidencia duvidosa, O um Gradiente. Uma avaliação arbitraria para a todos por baixo igualar, uma grade para todos entrincheirar, numa violenta competição contra si mesmos e seus pares, um escore para na escuridão aprisioná-los.


segunda-feira, 7 de março de 2016

SOBRE O HABITAR-SE

Na noite do domingo  próximo passado, assisti pela segunda vez ao filme de Almodovar  “A pele em que habito”, como uma espécie de breve sinopse é importante saber que é uma ótima tentativa de representação de relações de tensão entre essência, ser, habitar, gênero e ainda de identidade, explico, compõem o núcleo da trama: um cirurgião plástico, que tendo perdido a esposa, vitima de um incêndio, num trágico suicídio, esta em busca da criação de uma espécie nova de tecido que possa ser resistente a queimaduras, picadas de mosquitos infecções entre outras coisas. A filha deste medico que traumatizada pelos incidentes com a mãe sofre de agorafobia e não consegue se relacionar bem com as pessoas, a exemplo disso o relacionamento com seu pai. Um jovem que  é sujeitado a uma transformação profunda de si em vários níveis.

 

Refletindo sobre as impressões que esta linguagem me causou, pude perceber que se trata, em meu ver, de uma possível reflexão sobre o habitar-se, o que seja, o habitus de ser a si mesmo, o que poderíamos chamar de uma estagio entre o em-si e o para-si, não como algum tipo de essência, mas num sentido dialógico, possível apenas por meio da diferenciação entre o que o benjamim chamou de corpo vivo e o corpo cadáver . Esta diferença já suscita uma compreensão ou ainda uma percepção de que há uma cisão básica, e característica da condição humana, instaurada entre o eu do sujeito e a sua materialização consciente, que para Agambem se dará por meio do enunciado do Eu, seja por meio da escrita ou da fala. Em havendo esta divisão posta ai sob o olhar de uma ontologia materialista do trabalho, diga-se aquilo que eu faço é propriamente o que eu sou  e constantemente me torno.

 

Disso é patente que o personagem posto numa espécie de hiato de si mesmo em relação aos aspectos relativos ao corpo que foi transmudado de masculino em feminino construiu para si por meio das estruturas da foraclusão uma negação de si mesmo que se contradiz mas não se contraria, de forma que pode transitar pelo habito, nesse caso um processo contate de escolha, sendo sempre consciente parcialmente de que continua sendo quem é por meio daquilo que nega ser pela simples observação de novas praticas de ser a si mesmo, aqueles hábitos que também são como em Lacan a negatividade mantida constantemente para  a realização do real.