terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

UMA ODE OU NOTAS DE UMA LEITURA DE EZRA POUNDS

E pois com a nau no mar,

Parabolante antenavegatriz,
Ajuntamo-nos aos montões d’agua,
Ensetamos à hilada nevoa,
Movediço e nobre sangue,
hápax sem cabida,
do indizível,
que à boca cala,
na medida da razão,
para tal impropério,
deixei um cais,
languidamente,
mortiço e controverso,
viajante contranavegador,
dum estuário que dista,
e o logradouro eu perco,
que me escorre já,
em lembrar,
insucesso,
onde houvera nascido,
templo  de são Pedro,
em que habitamos,
barco e gente,
que inda sou,
sob o augúrio dela,
no fundo e na carne,
que morta sempre revive,
galeras gorgolejando,
goelas resfolegando,
podre adubo do mundo,
onde a vida não é precisa,
do que enricar nunca se pode,
malbaratada cabeça,
inda que se pense o contrario,
e disso gloria,
como sabido em Orfalese,
que mais cantava,
da boca do leão da aurora,
sincopado polifônico,
lançado contra as vagas,
Propalar apático,
Diminuta envergadura,
punção incontrolável,
do morrer noutro,
novas e indecisas,
movimentos infinitos,
que minha natureza sofre,
afogar cultural,
de breu e agua,
donde o mundo veio,
caminho sem volta,
diluídos no medo,
do alcance do desejo,
à dobra atlântica de Netuno,
cujo corpo é que se navega,
suarenta como só,
a choldra humílima,
sem sabida para tanto,
descuido primevo,
que nunca houve tal coisa,
onde a quilha assestar,
não seguro,
E descalço andar,
à réprobo da carne,
lasciva transparência,
do tegumento humano,
ereto mastro,
do assassínio vão,
intumescido e voraz,
faminto ouroboros,
da verdura dos meus anos,
longínqua fonte refletida,
que medrar nem me permito,
na hombridade mui amiga,
no meu corpo,
velado manto funesto,
cinzel doutra arte,
que o berescopio só serve,
que mais vergar não pode,
no fito imbuído,
que a si mesmo em contra-valor,
do que tenha querido,
onde tanto requer,
muito mais parcimônia,
e mais que em tudo,
onde avoluma a onda,
do querer,
Telos profano,
quando ainda intuição,
efêmero momento,
de utilidade vazio,
que a nave do meu juízo canta,
em si contrita,
à capela em voz velada,
esfumaçado moti,
um debrum madrigal,
na borda alheia,
espaçado e tremulo,
marejar os olhos
que fado seja,
hebrida cantilena,
mesmo roto,
dum redundo hiato,
posto que é voz embriagada,
desvão entrecortado,
cardada com destreza,
duma gente soldadesca,
que os seus abole,
e baloiça amalucada,
à nênia desgraçada,
como bedel já fôra,
que o tempo roga,
singrar o mar revolto e largo,
E tenebroso as serpentaceas,
dos teus braços,
nadir resiliente,
mansão do meu desejo,
em que permanecer é caro,
áurea proposta terrena,
rebolar o rochedo de Sisifo,
inacabados,
empíreo que eu alcancei,
a bom bordo viraste a quilha,
e o lampadário do q'eu soubera,
o tombadilho mo tomaste,
com espada entumecia,
na tua mão o báculo,
priápico sinalar,
pra nenhures aportar,
que cabida à nos não ha,
nem embornal que encontrar,
pois remido jamais,
da empresa em que lancei,
como preso estejamos,
A um espolio inexistente,
brutal e loucamente,
assaz desvão,
vórtice inebriante,
espécie de Garagantua,
devorante execrável,
da carne mesma de si,
canibal alimento,

no vir a ser eterno que somos.