quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Carta a Ezra Pound

As preces
Folheadas, degastadas
Os paços
Parcos, movediços chãos
Por onde se
Descaminha
Olhos costurados
De orações
Para não esquecer
Da iluminura
Superdivina
De não se ver
No espelho.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ranhuras

Ranhuras no
Chão
Aberto sob nossos
Pés , descalços
Incautos
Fadados ao cansaço
Ao percalço do
Tempo que
Chove
Deserta, os poentos
Chãos por onde
Descaminhos
Para qualquer lugar
Vagam os
Pés
Renhidos ,suarentos
Combalidos,
Pés.



domingo, 11 de novembro de 2012

Corredores


Seguir
Por descaminhos
Agrestes ,funestos estreitos
Para qualquer lugar,
Qual seja
Indiferença perene
De descuidar-se
Do que há, por
Derredor,
Na certeza cinza
Da continuidade, clara
Da iluminura
Que,
Por mais cinzas ( restem)
Tudo sempre volta
A ser manha.


sábado, 10 de novembro de 2012

Ferrugem


Lancinantes laivos
Famintos
Que caem
Das putrefatas almas
Viandantes
Que transeuntam
Pela vida
Das gentes gentis
E coadunam
A funérea falta de escolha
E o esgar de direito
Da mediocridade
Indissociável
Da soldadesca aparvalhada
Que leva n`alma
Pregadas, folhas
Carcomidas de lembranças
E vazios, que se dobram
Uns sobre os outros
Sufocando-as
Para que por fim
Cumpram seu descaso
E morram.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Azaleia

Sem mais
O que procrastinar
De preocupações
No escrutínio
Da mente
Só a dobradura
Do céu
Em pequenas estrelas
Entronadas a noite
Derribadas de dia
Para abrir lugar
Para o azul
Colado em postes
Iguais por toda
Abobada
Despreocupada e celeste.


domingo, 4 de novembro de 2012

Palavra


A palavra
Pretensa, as vezes
Quer ate ser
Paisagem
Pintar de azuis
Luzeiros
Ser retrato
Ou coisa
De tinta sobre papel
Na ânsia
De mostrar, transbordar
Extravasa para o
Mundo que
Não vive
O celeste nos olhos
Sob o guarda-chuva
Que caminha.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Recomeço


O folego
Sôfrego e fugaz
D`ante do mergulho
Que se esforça
Vital
Qual imbróglio
Visceral,
Aberto aos olhos
Ate o horizonte
Colado no limo
Da rocha séssil
Trampolim
Em desuso
Pela gente gentil
Que se já
Não lembra
Nem salto
Nem mergulho.