sexta-feira, 24 de março de 2017

notas

 Entre as discussões entorno da “questão da formação”, o problema  mais central, assim me aprece, no âmbito das teoria critica contemporânea e no centro de um compromisso com a atualidade de filosofia e sua potencialidade constelativa, que tem haver com uma capacidade de alguns filósofos de agrupar dimensões mais ou menos dispares em imbróglio que a principio nos parecem irreconstituiveis e irreparáveis, tem sido então a questão de “como nos tornamos quem somos”.


Este tem sido um problema de pesquisa, uma pergunta que tem encontrado algum espaço entre os pensadores do que se tem chamado ciências humanas, no entanto há muitas dimensões ou extensões deste problema que não se esgotam e nem podem ser completamente aproveitados apenas com o nosso arcabouço Teórico.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

o que significa escrever ?


pode-se pensar na escrita como uma maneira de separar ou dividir a historia da humanidade em duas metades ou partes distintas. Antes da escrita, sociedades assim chamadas agrafas ( não grafadoras) ou seja, grupamentos humanos que em sua estrutura de produção da vida em sociedade não estimava ou não conhecia a necessidade do uso de formas de grafia para nenhum fim, onde se não se pode encontrar nenhum tipo de fissura produzida perpendicularmente a rochas ou madeiras, nada semelhante a pictogramas argilomanofaturados, ligas de pigmentos com sangue de animais pós de terra ou plantas nem tipos de tintas ou mesmo ferramentas voltadas a grafação, a produção de riscos, sulcos, fissuras, ranhuras, arranhamentos, filigranas.

E grupos humanos outros que, de outro modo, em razão de sua maneira de constituir a vida estavam sim preocupados com modos de demarcar, assinalar ou ainda indicar, insinuar e salientar em blocos e superfícies de múltiplas espessuras e com variados fins suas tanto mais complexas sociedades, agora sim grafas ( que gravam).

Talvez essa seja uma maneira de colocar os acontecimentos que são particularmente importantes de um certo ponto de vista em evidencia. as sociedades ocidentais talvez gostem de pensar em si mesmas como complexas estruturas com as quais é preciso algum traquejo ou inicialização, ou seja é preciso que tanto a continuidade e garantia de regularidade seja repticiamente acentuada como necessária, quanto a ideia de que a utilidade dos registros em linguagens próprias é de extrema centralidade na organização das relações ocidentais do que se considera civilizado.

Quem sabe se não são apenas vislumbres do que seja escrever, talvez escrever seja uma maneira de consolidar constantemente e paralelamente múltiplos elementos por intermédio de aderência e vazagem de fronteiras e teores internos ou entranhados de e na ou ainda pela subjetividade autentica.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pianga



Compu-la para ti,
Toda a minha carne,
A aurora da verdura
Dos meus dias,
De mim
Completa cela e cerne,
Onde sussurra a luz
Que me aguda,
Fundo rasgo mais azul.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

prolegomenos para um paideuma da delusão 1

Naquele tempo primevo em que eu me pus a mim mesmo num lugar indizível que eu não sabia estar, já cheio do que de haver-se, não era matéria, como se saber fosse feito da mesma substancia que antecede o olho que verta da cara da gente enquanto o outro transvê, o que seja, o outro-coisa-em-si-mesmo, que posto não vale nada, e valendo já possibilidade do que eu tinha, pensamentos e alfarrábios estéreis do q seria perfeito no gesso dos osso da gente que corrobora na porta da esquina onde eu deixei o meu poema, antes disso eu não estava em lugar algum, mesmo quando tive pedaço do que eu queria, inda assim pensava que era já o que potente seria um dia , que não chegou. Sendo coisa proto que antevê o que seja, lugar de abstração profunda em que me ponho sempre que acho alguma curva no lado direito do pensamento azul que eu tenho toda vez que me deparo com nova coisa que sendo o mesmo mais se torna um devir de mim mesmo na tentativa de não ser o que eu disdigo do fundo do coração dum lugar que não existe, um chiste que resvala fundo no infame choro, conta-gotas perdidas. Ter sabida é muito fácil, quando a ordem esta posta do que se não temos quando inda há o que ser, o sentido do devir que se torna movimento infinito da imanência do nada que é porta lateral onde se acha a chave do armário de vassouras em que se esconde o registro da agua que corre de longa que não sei, para lugar, nenhures eu sabia que já havia me entreposto, no infinito do que achava ter morrido antes que ando não era mais eu que agora sou, ai não tinha nada, porque morto não é pedra, na estatua do jardim deixei um desenho que achei no lugar primeiro que eu sendo ainda não outro nem habito de mim mesmo não seria qualquer coisa que coubesse em garatuja e por isso só restei de que substancia fosse entre o concreto da cara dela, solto disso e cativo de todo o resto que habita ainda lá, onde tinha o café. 

domingo, 27 de março de 2016

Tudo começou com a forjadura dos grandes objetivos em 2013, três foram dados aos Bolsistas, imortais e mais sapientes de todas as criaturas, sete para os Orientandos, lordes dos grandes salões da biblioteca, e nove, nove foram dados aos Orientadores que partilhavam acima de tudo o desejo da submissão profícua.


Mas na montanha da capes, o lorde das métricas Sucupira forjou para si, em evidencia duvidosa, O um Gradiente. Uma avaliação arbitraria para a todos por baixo igualar, uma grade para todos entrincheirar, numa violenta competição contra si mesmos e seus pares, um escore para na escuridão aprisioná-los.


segunda-feira, 7 de março de 2016

SOBRE O HABITAR-SE

Na noite do domingo  próximo passado, assisti pela segunda vez ao filme de Almodovar  “A pele em que habito”, como uma espécie de breve sinopse é importante saber que é uma ótima tentativa de representação de relações de tensão entre essência, ser, habitar, gênero e ainda de identidade, explico, compõem o núcleo da trama: um cirurgião plástico, que tendo perdido a esposa, vitima de um incêndio, num trágico suicídio, esta em busca da criação de uma espécie nova de tecido que possa ser resistente a queimaduras, picadas de mosquitos infecções entre outras coisas. A filha deste medico que traumatizada pelos incidentes com a mãe sofre de agorafobia e não consegue se relacionar bem com as pessoas, a exemplo disso o relacionamento com seu pai. Um jovem que  é sujeitado a uma transformação profunda de si em vários níveis.

 

Refletindo sobre as impressões que esta linguagem me causou, pude perceber que se trata, em meu ver, de uma possível reflexão sobre o habitar-se, o que seja, o habitus de ser a si mesmo, o que poderíamos chamar de uma estagio entre o em-si e o para-si, não como algum tipo de essência, mas num sentido dialógico, possível apenas por meio da diferenciação entre o que o benjamim chamou de corpo vivo e o corpo cadáver . Esta diferença já suscita uma compreensão ou ainda uma percepção de que há uma cisão básica, e característica da condição humana, instaurada entre o eu do sujeito e a sua materialização consciente, que para Agambem se dará por meio do enunciado do Eu, seja por meio da escrita ou da fala. Em havendo esta divisão posta ai sob o olhar de uma ontologia materialista do trabalho, diga-se aquilo que eu faço é propriamente o que eu sou  e constantemente me torno.

 

Disso é patente que o personagem posto numa espécie de hiato de si mesmo em relação aos aspectos relativos ao corpo que foi transmudado de masculino em feminino construiu para si por meio das estruturas da foraclusão uma negação de si mesmo que se contradiz mas não se contraria, de forma que pode transitar pelo habito, nesse caso um processo contate de escolha, sendo sempre consciente parcialmente de que continua sendo quem é por meio daquilo que nega ser pela simples observação de novas praticas de ser a si mesmo, aqueles hábitos que também são como em Lacan a negatividade mantida constantemente para  a realização do real.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O Chaveiro

Tudo isso vinha escrito em poucas palavras acompanhadas de saudações e votos de felicidade. Todas as arestas permaneciam lá, indissolúveis na nodoa que manchava a mais polida educação com uma substancia desconhecida as pessoas simples, algo do que aqueles um dia conhecedores de tal eivada humanidade irascível não podem desejar outra coisa que não o expurgo e a completa ignorância como saída de sua cela invisível. Ali para aquele que pudesse ver, perpassando a apatia do papel timbrado e da caligrafia de chefatura, camadas muito densas de ressentimento e amargor.

A cólera lavada por mil anos em algum rio que corresse para o leste não seria menos indistinta em seus sedimentos, espalhados por entre a carne dos peixes e a terra fertilizada e excrescente, para todo a canalha das gentes gentis que nada sofre, seria a estes invisível como o ar. As pobres almas execradas por seu próprio ressentimento da impossibilidade de realizar a si mesmo uma experiência real de seu eu, que não a fuga silabaria de manifestação duma consciência meramente linguística da precedência de algo, aos desabitados pela possibilidade de existir como simples organela soldadesca e prototípica a uma espécie de seres esvaziados de certezas e perturbados pelo conhecimento tácito, apenas estes últimos a veriam obscurecendo toda e qualquer claridade.

Alojada entre escombros de vidas inteiras destruídas uma esperança débil daqueles remetentes. Requerendo a si algum direito de resposta, como se a choldra desejasse que a contradição sem contrariedade não fosse mais que fetiche.  E de algum modo como se por milagre anos sem fim de montanhas de tormentos pudessem simplesmente ser realocados em uma outra região do coração apenas colocando-lhes uma etiqueta diferente, e todo descuido propositado ou cada inação contemplativa diante da qual eu desfalecia pouco a pouco durante dias de silencio modorrento no escuro deserto da minha solidão devessem passar sem sua paga, aquilo indicava que eles achavam que por alguma razão agora poderiam se livrar do fardo de uma vida inteira que haviam arruinado.

Não queria crer que sob a poeirenta ossatura  da mente desgastada, guardado no fundo do estrato duma vida de lisura vazia e anos de simulacro não houvesse mais nada  do húmus que me tivera dado aquele beijo doce no jardim do verão entre os eucaliptos a beira do lago onde a lembrança havia escondido todo seu pundonor.



Conspurcado jazeu o papel destinando a lixeira.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sobre a eliminação da faculdade do entendimento

Ao mesmo tempo em que rebitava o conceito no objeto por meio das coincidências ilusórias da adequatio a razão instrumental espremia da formação a faculdade do entendimento, mutilando os sujeitos da reflexão que reconcilia a percepção e os juízos da razão. Seria essa a fonte básica da irreflexão ? um dos elementos, no horizonte da massificação da produção social  da incapacidade reflexiva e do apagamento da referencia básica a catástrofe da superexitação contemporânea ?